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Sábado, 18 de Novembro de 2017

Circonteúdo

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Escrito por Circonteúdo Sáb, 07 de Novembro de 2009 11:31

O Circonteúdo é o terceiro projeto de parceria entre Erminia Silva e Marcelo Meniquelli. A proposta, desta vez, é criar um lugar na web especialmente para o circo. O site já nasce com um conteúdo respeitável, nele estão inclusas todas as informações revisadas e atualizadas do Pindorama Circus (primeiro do gênero no Brasil), que passa a fazer parte como patrimônio histórico do Circonteúdo.

É na reafirmação de nossa luta política pelo reconhecimento do CIRCO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL, que temos como perspectiva que o site se torne uma das referências para a produção e divulgação de estudos, pesquisas, publicações, trabalhos artísticos e educacionais sobre as artes circenses, no Brasil e na América Latina.

Há uma utopia em transformarmos esse espaço virtual em uma pequena demonstração das principais características presentes em todo o processo histórico da produção do espetáculo circense: a miscelânea polifônica e polissêmica, ou seja, as artes circenses contem uma multiplicidade de sons, vozes, linguagens e, especialmente, de sentidos; tudo misturado e construído ao mesmo tempo.

Os homens, mulheres e crianças artistas circenses sempre ocuparam e ocupam velhos e novos espaços urbanos e palcos, fazendo-se presentes na circulação, comércio, produção e formação de muitos dos produtos culturais, como o disco, o cinema, o rádio, a televisão, o teatro, entre outros. Os artistas do circo, com os autores e empresários musicais e teatrais, que já ocupavam o picadeiro circense, mantinham o vínculo ao mesmo tempo em que se inseriam no contexto urbano industrial e cultural de qualquer período histórico, em especial no Brasil e Argentina, para ficarmos apenas no continente latino-americano.

O espaço circense, sempre manteve seu papel de veículo de massa. É claro que há um anacronismo nessa afirmação, mas ao transpor esse conceito de “veículo de massa” do século XX e se analisar a produção circense nos séculos anteriores, observa-se que os palcos/picadeiros circenses, desde o final do século XVIII, sempre cumpriram o papel de divulgar e dar visibilidade aos artistas de todos os gêneros e autores das cidades e suas produções, que se incorporaram à produção do espetáculo, produzindo e consolidando a sua polifonia cultural.

Pensar nessa multiplicidade de sons, linguagens, vozes e sentidos dos espetáculos, e na incorporação de todas as expressões artísticas de cada período histórico, fica difícil afirmar ou tipificar essa ou aquela forma predominante e ideal do que é ou deveria ser o circo. Além disso, sem desmerecer a influência dos diversos produtores de cultura, os circenses sempre se vincularam aos circuitos culturais estabelecendo estratégias de articulação com as mais diferentes expressões artísticas, levando-as para dentro do palco/picadeiro. O circo sempre esteve em busca do consumo de massa para seus espetáculos.

Quando, no final do século XIX, foi se explicitando um processo de massificação, acelerando e potencializando a produção e consumo cultural por uma população heterogênea e diversificada em suas origens sociais, o próprio modo de organização e produção do espetáculo circense pressupôs, também, a construção do circo como um veículo de massa. Pesquisas mostram, em primeiro lugar, que essa constituição pode se revelar de vários modos, inclusive ao se considerar o número de pessoas que o assistia, maior que o de qualquer outro espaço de apresentação artística, pelo menos até o advento do cinematógrafo e do rádio, além do tipo de espetáculo variado, em uma multiplicidade de linguagens artísticas, que lançava mão dos principais e mais contemporâneos inventos tecnológicos, como as luzes e as projeções elétricas, apropriando-se cada vez mais de novos ritmos e danças. Em segundo, que os circenses, quando não eram os próprios produtores – autores das peças, das letras e das músicas que estavam sendo vendidas em libretos, partituras e discos –, eram, ao menos, artistas importantes do período que divulgavam amplamente tais produções. E, em terceiro, que sempre fizeram uso das várias formas de divulgação dos meios de comunicação disponíveis, como imprensa, discos e cinema.

Essa análise não vale apenas para os períodos históricos anteriores, como se pode ver na pesquisa e texto de Nilton Gonçalves Gamba Junior que, entre muitas coisas, é Professor Doutor Pesquisador do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e também um de nossos “Colunistas”. A partir de uma experiência vivenciada com as artes circenses, em maio de 2008 – proporcionada na relação com Junior Perim e Vinícius Dauma, coordenadores da ONG Crescer e Viver, e como roteirista e diretor do espetáculo UNIVVVERRSSO GENTILEZA, baseado na obra do pesquisador Leornado Guelman - Gamba Junior, que pertencia a um outro lugar da produção cultural, outro lugar social, fala das misturas, da multiplicidade que representa a linguagem circense e, em particular, de sua característica de recorrer a diversos meios de comunicação:

É aí que houve um encontro com o circo e sua vocação ontológica de mescla: um caldeirão cultural com trajetória histórica de apropriações, incorporações, pluralismos e adaptações. Independente de diversas manifestações contraditórias a essa vocação, que tentam colocar o Circo em uma direção única vinculada às necessidades de identificação e visibilidade mercadológicas mencionadas anteriormente, o Circo é inexoravelmente ‘multimídia’, híbrido e investigativo. Se há algum norte preciso em sua definição é a sua imprescindível indefinição.

Um outro texto, que fala também da mistura, é o “Mundos misturados” de Izabel Gurcel, mais uma de nossos “Colunistas”, jornalista e diretora do Teatro José de Alencar de Fortaleza (CE). Ela usa como forma para tratar disso o relato do personagem Riobaldo, do Grande Sertão: Veredas, que em vários momentos do livro diz que o mundo é misturado. A partir daí sabiamente, como Riobaldo, infere: “ouvimos e nos instalamos na vastidão de mundos, misturados, muito misturados, que a palavra circo abriga”.

São esses os principais objetivos que esperamos atingir com nossa proposta do Circonteúdo, sobre a produção circense, ao mostrar: sua contemporaneidade, independente do período histórico estudado, analisado e vivenciado; toda a sua polifonia e polissemia; que está hoje disseminada em todos os lugares possíveis e imagináveis do urbano e rural, particularmente no Brasil; que as escolas de circo foram e são responsáveis, de 30 anos para cá, por grande parte dessa disseminação; que o circo social, projetos sociais que usam a linguagem circense como ferramenta pedagógica, também contribuiu e contribui significativamente com essa difusão; que os novos personagens históricos que se constituíram como artistas circenses nas escolas de circo e circo social e que se fixaram nas cidades, realizam importante papel não só artisticamente, mas politicamente; que o fato de se ter ampliado a presença do circo nas cidades, diversificou ainda mais a presença de pessoas dos mais diferentes estratos culturais e econômicos envolvidos com essa arte, e que isso tem como uma de suas implicações, um aumento significativo de estudantes universitários voltados para o fazer e pesquisar circo. Nessa dimensão é interessante observar que não somente nos cursos de Educação Física ou Instituto de Artes o circo invadiu os bancos universitários, mas no: jornalismo, história, geografia, antropologia, moda, fisioterapia, medicina, centros voltados para portadores de deficiências físicas e mentais, entre muitos outros.

Consideramos que as artes circenses é a expressão máxima do encontro de muitos mundos artísticos em todos os períodos históricos. Não se pode estudar a história do teatro, da dança, da música (cantada, tocada e escrita), do disco, do cinema, do rádio, da televisão sem falar de homens, mulheres e crianças circenses desenvolvendo ações de protagonistas na produção do patrimônio cultural latino americano e, em particular, brasileiro. Uma das melhores formas para se ter a dimensão da importância do circo na produção e divulgação da multiplicidade de produções artísticas no país é imaginar um mundo sem o disco, sem o rádio, sem o mp3, sem o computador, sem a televisão, e se perguntar quem era um dos principais espaços de divulgação e fusão dos gêneros teatrais, musicais, dança, acrobacia e animais. Eram os palcos/picadeiros circenses.

É com a certeza de que o circo foi e é patrimônio cultural, que temos como perspectiva e utopia que o site Circonteúdo se torne um dispositivo instigador de debates sobre esta arte, na sua multiplicidade, polifonia e polissemia, e reafirmando esperamos que seja também uma das referências para a (e na) produção e divulgação de estudos, pesquisas, publicações, trabalhos artísticos e educacionais.

 

 
Painel de entrevistas

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José Rubens
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Payaso Chacovachi
Argentina
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Erminia em entrevista no Jô

(+) entrevista na íntegra

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Encontro de Bastidor (Brasília - DF)
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Intrépida Trupe (Rio de Janeiro - RJ)
Panis & Circus (São Paulo - SP)
Teatro de Anônimo (Rio de Janeiro - RJ)