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Quinta, 26 de Abril de 2018

Viralatéia – a odisséia de um palhaço chamado “Viralata”.

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Escrito por Rodrigo Robleño Qua, 05 de Setembro de 2012 21:57

Segundo as últimas pesquisas antropológicas realizadas em minha mente e minha cama, que tem em comum que em ambas adormeço e perco a hora, cheguei a conclusão de que o palhaço “Viralata” nasceu no dia 19 de julho de 1992, há vinte anos, após longa gestação que começou em novembro de 1989, durante minhas primeiras aulas de palhaço, ou em 1979, quando fiz minhas primeiras aulas de teatro, ou ainda, segundo pensam alguns, no dia 07 de fevereiro de 1967, quando nasci.

Nasceu o “Viralata”, então, com outro nome, diga-se “Dógui”, pelo qual foi conhecido nas bandas das Geraes por longo tempo. Nasceu baixo olhares, riso sarcástico e seguras mãos condutoras do parteiro Luís Otávio Burnier (ou “mestre”), auxiliado por seus experientes assistentes Carlos Simioni e Ricardo Puccetti, ambos os três, como diria quem não sabe português, pertencentes a um dos mais importantes núcleos de gestação de clowns, o LUME. E, por ser Lume, encaminharam o “Viralata” à luz. Nasceu esse meu palhaço pelo ressaltar de duas minhas características, tão reconhecidas por aqueles que me conhecem: “olhar de cachorrinho pidão” e “mover-se como desenho animado, como marionete”.

Nasceu esse palhaço na cidade de Sabará, que foi também a cidade que o viu em sua primeira aparição em público, para logo nos dias a seguir vir a Belo Horizonte, num rápido passeio pela Feira de Flores. Nesses momentos de primeiros passos, o andar duvidoso, a palavra aflita que não saia de acordo, o olhar perdido, o desejo de agradar e ser querido, ganhar vida e rumo.

Pouco tempo depois, em 1993, partia o “Viralata” para a Espanha, onde, para seu melhor aprendizado, encontrou-se com um mentor que o ensinou boa parte do que sabe, e lhe deu casa e comida: o Público. Foram 3 anos nos quais precisou passar o chapéu para sobreviver; trabalhava nos parques, nas ruas, nas praças e nas festas municipais onde, se não agradasse ao público, não ganhava as moedas que o manteriam vivo. Viveu e sobreviveu.

Seu trabalho nas ruas da Espanha se deu por grandes coincidências do destino. Começou como parceiro de outro brasileiro que se aventurava nas ruas, Isnar de Oliveira, e ganhou a certeza de que poderia trabalhar sozinho com o empurrão encorajador de um músico argentino, Marcelo Soriano.

Na sua primeira atuação sozinho, nervoso, maquiou-se sem perceber que o público se aglomerava a sua volta, Ao se levantar, vendo a multidão que o cercava, assustou-se e virou de costas – o público riu... e o “Viralata” divertiu-se e divertiu a todos, apenas com gestos, malabares e uma profunda relação de afeto com o público. Assim passaram-se os dias, os meses, os anos... improvisava com o público, treinava malabares, contava moedas.

Mas era tempo de voltar a sua terra natal, a levar alegria para seu povo. Na volta, as dúvidas, o que fazer quando chegar ao Brasil? A idéia veio simples, direta. Devo fazer o que sei fazer, estar com o público.

Juntando as improvisações que realizava durante horas com o público espanhol, e roteirizando minimamente suas habilidades circenses, estreou o espetáculo “Viralata” o palhaço ta solto!”. Esse espetáculo, é a fonte de vida do Viralata, pois sendo sua criação, modificou-se com o tempo, e continua a se modificar.

Em seu retorno as Terras Geraes, “Viralata” foi crescendo, se fortalecendo....

Descobriu-se, assim, mais brasileiro do que nunca, amante das ruas como habitat natural, o verbo como recurso cômico, a necessidade de ser amado... foi quando, já em 1998, decidiu adotar o nome de “Viralata”, esse “animal” que vive nas ruas, desperta diferentes reações por onde passa, mas é, acima de tudo, um sobrevivente.Dizem que nós, brasileiros, temos, todos, um pouco de viralata... posso afirmar que o Viralata tem um pouco de todos nós, brasileiros.

Nas roupas, leva as cores de suas origens: o verde e o amarelo de sua brasilidade e o amarelo, com o vermelho, por sua descendência espanhola. Na maquiagem, homenagem ao palhaço brasileiro, através de uma “citação” a Arrelia, aos palhaços do mundo, em um traço baseado na maquiagem de Grock e o respeito a milenar figura do palhaço, nas sobrancelhas vermelhas em forma de “chifre”. Nas suas mãos, a lembrança de todos os seus ridículos pessoais, que são os da própria humanidade, representados por um estojo de violão...

No seu espetáculo, ao longo dos anos, posso reconhecer a própria história do Viralata. Lá, sem que o público perceba, estão presentes aquele primeiro susto ao ver-se sozinho diante do público, o olhar de cachorrinho pidão, meus “maoslabares”, “o jogo de palavras e o “humor inteligente e sutil” que muitos apontam na minha própria pessoa, os dias que passei nas ruas da Espanha, meus tempos de escotismo, minhas aulas de teatro, meu carinho incondicional pelas pessoas e meu grande afeto pelos meus amigos, todos eles... Todo o meu ser, toda a minha história é alimento para a existência do “Viralata”, que se apropria de todo meu ser e lhe dá um “formato cênico” para brincar com o público, para divertir-se e divertir. Para mim, ser palhaço é um trabalho “psico-cênico”, pois se utiliza de nossas características para ser espetáculo.

De repente, em 2006, os caminhos do palhaço me levaram para o Cirque du Soleil, nunca pensei que meu trabalho claunesco me levaria a atravessar o mundo e conhecer tantas culturas. Apos 4 anos de turnê pelo mundo resolvi voltar ao Brasil, por sentir a falta de muitas coisas, entre elas, ser “Viralata”.

A volta não foi fácil, nos primeiros espetáculos me sentia como alguém que coloca uma roupa antiga, encontrada esquecida num armário... eu gostava daquela roupa, mas ela já não servia, não era a mesma... meu corpo e minha mente haviam mudado... e o ‘Viralata” também. Aos poucos, sem pressa e quieto como todo mineiro, fomos nos re-encontrando...

O “Viralata” é isso, ou é esse, um palhaço que já é misto de criador e criatura, uma busca de entender o que é ser palhaço nesse mundo cada vez mais louco, mais intenso...

Acredito que ele continua crescendo, e, mesmo possuindo apenas um único espetáculo, que se transformou tanto quanto o próprio palhaço, seu entendimento do mundo claunesco também cresce. A cada apresentação que faz, em cada internvenção que aparece, a cada curso que ministra, o “Viralata” se constrói e se entende mais.

Apresentar, através do “Viralata”, o melhor brilho do Rodrigo Robleño; ter como missão fazer rir ao público, denunciar o risível da raça humana, provocar.

Para isso, e por paixão nisso, o “Viralata” cumpre seus 20 anos... e que outros ânos venham por diante.

Se você existe, se me escuta, se sabe quem sou... só quero lhe agradecer por eu ser palhaço. Espero estar cumprindo satisfatoriamente essa missão.

Se você me assistiu, gostando ou não, obrigado por existir em meus caminhos.

Aos alunos, meu agradecimento por me permitirem aprender e por aceitarem o que passei (ou não aceitarem...).

Aos parceiros de caminho, nossos passos continuam juntos em nossa pele.

Ao público, o meu aplauso.

Rodrigo Robleño, o “Viralata do Brasil”.

 

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